A importância do ócio para a criança


Pensar nas férias das crianças é imaginar o corre-corre pela casa, o pular em cima das poltronas e toda a movimentação que isso traz para a rotina da família. Desejamos que nossos filhos brinquem e divirtam-se, evitando que fiquem estáticos diante da TV. Por vezes, achamos necessário elaborar uma lista de atividades para as crianças e com um adulto interagindo. Somos impelidos a criar uma rotina organizando e planejando os horários dos filhos, mesmo durante as férias. Já reparou nisso?

Certo dia, enquanto escrevia um texto, meu filho me rodeava. Era seu primeiro dia de férias. Estávamos em casa. Eu trabalhando, ele sem sua companheira de todas as horas, a irmã mais velha. Reclamando da ausência de programação, se dizia entediado e o dia ainda estava se iniciando. Parei de trabalhar e expliquei que papai e mamãe, naquele momento, estavam trabalhando e que ele poderia criar suas próprias estratégias de diversão, usando a criatividade. Lembrei a ele que a nossa casa poderia se transformar num grande parque. Completei dizendo: “crie, faça o que você estiver com vontade nesse espaço”. Mesmo resistindo à ideia inicialmente, ele se rendeu à proposta. “Sem ter o que fazer”, deixou fluir suas ideias, ou seja, criou e brincou após se deixar levar pela pausa estabelecida pelo ócio.

O ócio não é um tempo perdido. Oferecer tempo livre não significa “deixar a criança solta”, mas oportunizar um espaço seguro e de liberdade para que ela possa ser espontânea, desenvolvendo assim a imaginação. Também permitir o seu potencial criativo de produzir coisas novas e modificar situações, sem muitas interrupções, falas e estímulos externos. É uma fantasia essa ideia de que precisamos preencher todo o tempo da criança para que ela não se sinta fatigada e sozinha.

A chamada geração alfa (nascidos após 2010) recebe também a influência das mídias, por todos os lados e a qualquer tempo. É induzida a pensar que precisa ter, consumir e até ser – ser igual ao youtuber e imitar ideias sem parar para refletir. Portanto, é uma geração que precisa ainda mais desse ócio para que possa pensar o que é desejo dela, como ela quer agir em diferentes situações... ou seja, a criança se descobrindo e sendo ela mesma. Quando falamos sobre os benefícios do ócio, não nos referimos apenas à tecnologia, mas sobretudo aos estímulos excessivos que damos aos nossos filhos, através de atividades e de brincadeiras que são planejadas e totalmente direcionadas.

E por que o ócio para os filhos? O tempo livre favorece a criatividade e habilidades, como a de fazer escolhas e a de tomar decisões. A criança consegue entender o que ela gosta e como ela pode fazer, criando, inventando e solucionando problemas. Isso é um ensaio para vida adulta. O livre-pensar permite ter tempo para fazermos o que realmente nos interessa. Não basta aprender conteúdos e acumular informações. Nessa geração é ainda mais urgente ter a capacidade de ser criativo, caso contrário, como diz Rubem Alves, no futuro, as crianças serão apenas ecos das receitas ensinadas e aprendidas.

#crianca

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