Proteção demais, desprotege?

November 28, 2017

            Protetor de berço, redes de proteção nas janelas, travas nas portas dos carros, tapete acolchoado, protetores de quinas etc. Hoje, temos no mercado um aparato material que nos auxilia na proteção dos nossos filhos pequenos. Uma maravilha! Queremos consumir tudo o que possa nos garantir o bem estar dos nossos tesouros. Queremos o que há de melhor! Há algum pecado nisso?

            A questão se complica, quando passamos a esticar essa “rede de proteção” para as outras esferas da vida dos pequenos, fazendo todo o possível para privá-los  de experiências cotidianas “negativas”, daquelas que envolvem angústia, sofrimento ou frustração. Mediamos rapidamente os conflitos criados por eles, com soluções rápidas e de pouco impacto no humor, evitamos objetos ou temas que possam gerar conflitos entre irmãos, solicitamos na escola a alteração de sala se ele não esta confortável com sua turma.

          Evitamos que as crianças errem e sofram com as consequências de seus atos e, ainda que inconscientemente, buscamos oferecer contato apenas com momentos de satisfação, realização e prazer. Como se isso fosse possível, certo? E assim, sem percebermos, vamos agindo no “modo automático”, pintando “em aquarela” um mundo (mágico e irreal) adaptável às vontades e necessidades das crianças. Uma atmosfera bem distinta do mundo em que estão inseridos. Mas será que isso é bom para os nossos filhos? Será que contribui para eles enfrentarem as adversidades da vida, sozinhos, na fase adulta, com segurança e autoestima? Esse tema merece uma reflexão!

          Todas as vezes que nos colocamos entre os nossos filhos e os desafios, podemos estar nos colocando como uma barreira para que eles desenvolvam suas próprias estratégias de resolução de problemas. Alimentamos suas fragilidades diante de desafios corriqueiros da idade e os deixamos inseguros quando não valorizamos suas estratégias. Quando fazemos por eles, o que poderiam fazer sozinhos,  transmitimos a ideia (inconscientemente) de que são incapazes, despreparados. Desmotivamos nossos filhos a avançar diante dos obstáculos. Deixamos de estabelecer com eles uma relação afetiva e educativa que promove a autoconfiança e a autoestima.

           Não se trata de abandoná-los à própria sorte para enfrentar e resolver problemas para os quais ainda não estão preparados, mas de buscar uma ação educativa em casa, que os prepare (gradativamente)  para a vida como ela é. Significa assumir o papel (árduo) de instruir os filhos, utilizando conflitos do cotidiano, para refletir juntos a convivência social e seus reflexos, o senso de justiça, o conceito de empatia, solidariedade, ética e autonomia.

          De acordo com Roseli Sayao (2016), quando pais e professores permitem que a criança ou o adolescente tomem uma atitude por conta própria diante de um problema, ou pelo menos os encorajam a fazer isso, estão fortalecendo a ideia para os filhos de que de  são capazes de fazer aquilo, promovendo a confiança para seguir em frente.

Entendemos que não há fórmula mágica para alcançarmos o sucesso na educação dos filhos, pois cada família tem suas nuances: observa, experimenta e compartilha o mundo de modo particular. No entanto, seja qual for a “filosofia da educação” adotada, é inegável que para aprender (seja qual for a lição) os menos experientes (independente da idade) precisam arriscar, experimentar, errar, perder, escolher, se frustrar. Isso significa estar vivo, ativo interagindo com o mundo.  

          Nossa missão enquanto pais, conscientes do nosso papel, é proporcionar às crianças as experimentações que o mundo oferece, sob os nossos cuidados acompanhados de orientações. Tudo isso nos dói, com certeza. Queremos para os nossos filhos, além de proteção, paz, saúde e felicidade. Ah! Muita felicidade! E para isso, é nossa  responsabilidade garantir o desenvolvimento pleno dos filhos, não apenas visando as suas (e as nossas) satisfações imediatas. Temos a obrigação de cuidar e proteger os nossos tesouros (futuros cidadãos), mas sobretudo temos o dever de proporcionar um ambiente repleto de situações de crescimento e aprendizagens.

 

 

 

 

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