Dificuldades de aprendizagem: uma epidemia?

Muito tem se falado sobre as dificuldades de aprendizagem, sobretudo quando o assunto em foco é o baixo rendimento escolar dos alunos. Os pais ficam preocupados e buscam explicações para a pergunta que não quer calar “por que meu filho não vai bem na escola?”. Atualmente, uma saída aparentemente viável (e rápida) é um diagnóstico. O problema é que, muitas vezes, não há um diagnóstico, e sim, uma falta do olhar “desacelerado” à criança, de uma visão 360º para enxergar outros pontos importantes, como: a rotina da família, as características pessoais de cada criança e o modo (sempre único) de como elas aprendem. Nos dias atuais, vivemos na correria. Queremos sempre acelerar tudo para que caiba na rotina da família: nossa alimentação, o tempo do percurso para o trabalho ou levar as crianças à escola, a busca pela informação e pelo corpo saudável, o tempo dos deveres dos pequenos, como se estivéssemos vivendo em uma verdadeira maratona. Deste modo vamos formando uma geração hiperativa, agitada e dispersa. Ao mesmo tempo, solicitamos de nossos filhos atenção, interesse e esforço na hora do estudo. Exigimos deles habilidades que não são estimuladas no dia a dia. Querem um exemplo? Quando a criança inicia a sistematização de estudos e deveres de casa, ela passa a ser cobrada pelos pais para realizar suas tarefas “e que só levante quando terminar”. Mas, será que estimulamos essa habilidade da responsabilidade? Ela faz alguma atividade em casa (lava louça, guarda suas roupas, tira a mesa etc)? Existem consequências quando não cumprimos nossas responsabilidades e os pequenos só vão entender isso se ensinarmos. Apesar das dificuldades de aprendizagem ficarem mais evidentes no âmbito escolar, não quer dizer que sejam produto da escola, pois os alunos devem ser avaliados no seu contexto, considerando o meio em que vivem e suas possibilidades, já que a aprendizagem se dá de maneira não linear e diferente para cada pessoa. Pais, mães e agentes educadores podem e devem participar dos processos contínuos de aprendizagem de seus filhos. Diariamente, exercitando nas crianças habilidades que servem como pré-requisitos para aprender, com atitudes simples e práticas, estaremos facilitando o seu desenvolvimento cognitivo e emocional.

O número de encaminhamentos de crianças com a queixa de dificuldade de aprendizagem para um tratamento psicopedagógico cresce a cada ano de maneira alarmante. São aprendentes que ao "fugir de um padrão cognitivo" recebem rotulações, muitas vezes indevidas. E a pergunta que rapidamente nos vem a cabeça é: o que as pessoas entendem como dificuldades de aprendizagem? Será que existe uma definição comum para a expressão? Não! O próprio mentor do termo learning desabilities, Samuel Kirk, americano influente na história da educação especial, acreditava que muito se decretava por falta de uma definição. Ele, junto com ao National Joint Comittee for Learning Disabilities (Comitê Nacional de Dificuldades de Aprendizagem), define e redefine o termo (que podemos trazer para discussão em outro momento). Ainda não existe um consenso sobre o termo apesar de seu uso frequente. O uso corriqueiro e indevido da expressão “dificuldades de aprendizagem” tem produzido “efeitos colaterais” negativos, ao estigmatizar crianças e adolescentes, marcando-os. Crianças preteridas de suas potencialidades, com identidades deterioradas por uma ação social. Uma verdadeira epidemia! A intenção é provocar a disposição para IR ALÉM de julgar nossos filhos a partir do que deveriam ser, de padrões pré-estabelecidos favorecendo a eles, habilidades que os ajudarão no desenvolvimento cognitivo e emocional.


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